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O QUE É O CARVÃO?

Quando se se refere ao conceito de CARVÃO, algumas questões se põem, a principal das quais é: será o carvão uma rocha?

Quando se olha para a definição de rocha (Fig. 1) - qualquer material natural consolidado ou não, composto por dois ou mais minerais, ou ocasionalmente um mineral, com uma certa constância na sua composição química e mineralógica (Gary et al, 1973) carvao_1- poderá dizer-se que o carvão não é uma rocha, uma vez que ele é constituído por matéria orgânica que, por definição, não pode ser considerada mineral. Assim, um carvão não pode ser incluído na categoria de rocha.

O carvão resulta da acumulação gradual e progressiva de matéria orgânica em regiões de água estagnada (pântanos), matéria orgânica essa que vai sofrendo afundimento e soterramento, sendo progressivamente sujeita aos agentes da diagénese: pressão e temperatura. Essa acção vai transformando a matéria orgânica física e quimicamente para dar origem aos vários tipos de carvão, classificados em função do grau de transformação atingido (Fig. 2).carvao1

carvao_2

Durante este processo de acumulação de matéria orgânica, os processos naturais da Geodinâmica Externa e Interna vão introduzindo matéria inorgânica (mineral) nos pântanos, havendo por isso sempre mistura de matéria orgânica com matéria mineral.

Uma vez que o carvão resulta de materiais e processos geológicos naturais e tem matéria mineral misturada, ele é considerado como rocha. Assim, a definição adoptada pelo ICCP[1] (1963) para carvão é:

O Carvão é rocha sedimentar combustível formada a partir de restos vegetais em vários estágios de preservação por processos que envolvem a compacção do material soterrado em bacias, inicialmente em profundidades moderadas.

Evidentemente que as técnicas modernas de investigação e análise de carvões evoluiram imenso desde 1963 e por isso o ICCP, em conjunto com outros organismos internacionais, está a estudar uma definição mais actual e correcta para o conceito de carvão.

Uma vez que o carvão tem origem em matéria orgânica (com maior ou menor quantidade de matéria mineral à mistura), os seus constituintes são completamente diferentes dos minerais. Esses constituintes, que levam o nome de macerais, são de vários tipos consoante o órgão/tecido/composto vegetal de que são originários e do tipo de transformação que sofreram: lenhina, celulose, resinas, cutículas, esporos, pólens, algas, fungos, etc.



[1] ICCP – International Committee for Coal and Organic Petrology.

Por: Carlos Dinis