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Distrito de Chifunde

chifunde

Localização, Superficie e População

O distrito de Chifunde localiza-se a Norte da Província de Tete, confinando a Norte com a República da Zâmbia e do Malawi, a Sul com o distrito de Chiúta através do rio
Luangua (grande Chiritse), a Este com o distrito de Macanga e a Oeste com o distrito de Marávia através do rio Kapoche.


Com uma superfície1 de 9.403 km2 e uma população recenseada em 1997 de 48.555 habitantes e estimada, à data de 1/1/2005, em 61.508 habitantes, o distrito de Chifunde tem uma densidade populacional de 6.5 hab/km2.


A relação de dependência económica potencial é de aproximadamente 1:1, isto é, por cada 10 crianças ou anciões existem 10 pessoas em idade activa.


A população é jovem (49%, abaixo dos 15 anos de idade), maioritariamente feminina (taxa de masculinidade de 49%) e de matriz marcadamente rural.

 

Clime Relevo e Solos

Este distrito é influenciado a sul pelo clima de tipo tropical chuvoso de savana onde as precipitações médias anuais são acima dos 800mm, chegando na maioria dos casos a 1.200 ou mesmo 1.400mm, concentrando-se no período comprendido entre Novembro e finais de Março podendo localmente estender-se até Maio. A evapotranspiração potencial regista valores médios na ordem dos 1.000 a 1.400mm e as temperaturas médias anuais variam de 24 a 26ºC, facto que possibilita e encoraja a prática de agricultura de sequeiro com apenas uma colheita sem riscos significativos de perda das culturas devido ao déficit hídrico.


A norte, é coberto pelo clima temperado húmido influenciado fortemente pela altitude. A precipitação média anual está acima dos 1.200mm e a temperatura média varia entre 15 e 22.5ºC. É de salientar que é nesta região que se localizam a maior parte das nascentes dos rios de curso permanente.

Geomorfologia
Zona sul do distrito - Ocorre ao norte do rio Zambeze, marcando a transição do sul do distrito para a região de maior altitude do norte do distrito. Tem uma altitude média,
compreendendo planaltos baixos, médios e sub-planaltos que abrangem altitudes que variam de 200 a 1000 metros acima do nível médio do mar. O relevo apresenta declives que variam de suavemente ondulados a fortemente dissecados.


Zona norte do distrito - A topografia é dominantemente muito ondulada a dissecada nesta região de alta altitude, que ocorre de forma fragmentada sendo geograficamente localizada nas zonas do complexo de Marávia-Angónia.

Solos
Zona sul do distrito - É dominada por solos residuais derivados, na maioria, de rochas metamórficas e eruptivas do soco pré-cambrico, em particular, do complexo gnaissogranítico do Moçambique Belt. São solos de textura variável, profundos a muito profundos, localmente pouco profundos, castanhos-avermelhados, sendo ainda ligeiramente lixiviados, excessivamente drenados ou moderadamente bem drenados e, por vezes, localmente mal drenados. Ocorrem ainda, solos aluvionares e hidromórficos ao longo das linhas de drenagem natural associados aos dambos.


Zona norte do distrito - Ocorre parcialmente no complexo gnaisso-granítico do Moçambique Belt. Os solos derivados destas unidades geológicas são do tipo ferralítico,

vermelhos a castanho-avermelhados, de textura pesada, profundos e moderadamente bem drenados, ligeira a fortemente lixiviados, contudo apresentando boas capacidades de retenção de água. O relevo é dominado por interflúvios intercalados por vales estreitos e  muito profundos, podendo ocorrer ainda e de forma isolada afloramentos rochosos tipo inselbergs.

 

Economia e Serviços

Dos 940 mil hectares da superfície do distrito, estima-se 2 em 450 mil hectares o potencial de terra arável deste distrito, dos quais só 30 mil são explorados pelo sector familiar (3% do distrito). Existe alguma provoca pressão sobre os recursos disponíveis, originando alguns conflitos sobre a posse da terra.


O distrito é essencialmente agrícola, dedicando-se à produção de culturas alimentares e de rendimento, nomeadamente, milho, amendoim, feijão, piri-piri e tabaco.


Um dos obstáculos ao desenvolvimento social ou à atracção de investimentos é a precaridade das vias de acesso que ficam intransitáveis durante o período chuvoso, muito
embora a ONG Ajuda Popular da Noruega e a empresa DIMON tenham estabelecido uma parceria com o Governo Distrital, com vista à reabilitação de algumas vias de acesso, com excepção da ponte sobre o rio Luangua – principal infra-estrutura de acesso ao distrito – que requer um maior investimento e a substituição urgente da madeira por materiais mais seguros.


Para impulsionar o desenvolvimento social, operam no distrito duas Empresas, designadamente: DIMON, na produção de tabaco e a DUNAVANT na produção de
algodão.


Nos recursos faunísticos e florestais, importa referir que o distrito possui madeira de alta  qualidade e uma vasta gama de animais, tais como: Elefantes, javalis, gomas, gazelas, cudos, cabras do monte, coelhos, cobras, changos, leopardos, búfalos, zebras e diversas outras espécies. No que respeita a recursos hídricos, o distrito é atravessado pelos Rios Lúia, Kapoche, Chiritse, Luangua, possuindo ainda a lagoa Kapata onde a população faz o aproveitamento da actividade pesqueira em pequena escala, utilizando métodos bastante rudimentares para o seu sustento.


A lenha é a fonte de energia mais utilizada para a confecção de alimentos. É grande o potencial das árvores indígenas, tais como a N'tsanya, Tsamba e o Pau-preto que são a
principal fonte local de energia e de madeira de construção. Há, ainda, a referir a existência de plantações de eucaliptos e pinheiros. Existem localidades como Bulimo, M'fululudzi e Namiramba, cujas populações têm que percorrer entre 4 a 6 Km até à fonte de lenha mais próxima. A sede do distrito tem sido a mais afectada pela erosão.
A caça de cudos, gazelas, coelhos, ngomas, porcos do mato e ratos selvagens constitui um suplemento dietético para as famílias. Os animais selvagens mais importantes são os leopardos, elefantes, zebras, leões, jibóias, jacarés e outros. A pesca constitui outra fonte de
alimentação para as famílias.


A pequena indústria local (pesca, carpintaria e artesanato) surge como alternativa à actividade agrícola, ou prolongamento da sua actividade.


Em termos de infra-estruturas comerciais, a sua existência é deficitária, uma vez que o distrito foi grandemente afectado pela guerra, muito embora esforços tenham sido
envidados com vista à sua recuperação.


A actividade comercial e a pequena indústria do distrito são do tipo ambulante e são realizadas por mulheres que se dedicam à venda de produtos agrícolas e utensílios e por
homens que vendem produtos agro-pecuários, florestais e provenientes da fauna bravia.


É de referir, também, as potencialidades do distrito na área de recursos minerais, onde se destaca o ouro e pedras semi-preciosas.


Este distrito não tem potencial turístico significativo e as infra-estruturas de desenvolvimento do sector são muito limitadas.


Não existe nenhuma instituição bancária a operar no distrito, nem nenhum sistema formal de crédito em condições acessíveis aos operadores locais. As possibilidades de acesso ao crédito derivam de prática no sector informal, nomeadamente dos comerciantes locais e dos familiares dos interessados.

 

Fonte: Portal do Governo ( perfil dos distritos)